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Analgesia de Parto

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Klinikagem • MEDICINA INTERNA

Analgesia de Parto

Atualizado em: 1 Ago 2024

Prescrição Anestésica

Orientação ao Prescritor

  • Profissional pode optar por realizar um bloqueio peridural simples ou combinado.

Dieta e Hidratação

1. Dieta zero.

2. SF 0,9% ou Ringer lactato , a critério do anestesista.

Bloqueio Peridural Simples

    1. Anestésico local: Escolha uma das opções:
  • Bupivacaína (0,125%) 8 mL com opioide, em bólus pelo cateter peridural. Seguida de manutenção com até 10 mL da mesma solução a cada 1,5-2 horas de acordo com a necessidade da paciente;
  • Ropivacaína (0,2%) 8 mL com opioide, em bólus pelo cateter peridural. Seguida de manutenção com até 10 mL de Ropivacaína (0,15%) com opioide a cada 1,5-2 horas ou de acordo com a necessidade da paciente.
    2. Opioide: Escolha uma das opções:
  • Fentanila 50 microgramas em cada solução anestésica;
  • Sufentanila 10 microgramas em cada solução anestésica.

Bloqueio Combinado

Utilize os esquemas abaixo de forma combinada.

Esquema A: Raquianestesia:

I. Bupivacaina hiperbárica (0,5%) 2,5 mg.
+
II. Fentanila 10 microgramas.

    Opção de alternativa à Fentanila (II):
  • Sufentanila 5 microgramas.[cms-watermark]

Esquema B: Cateter peridural:

I. Bupivacaína (0,125%) 8 mL.
+
II. Fentanila 50 microgramas.

    Opção de alternativa à Bupivacaína (I):[cms-watermark]
  • Ropivacaína (0,15%) 8 mL.[cms-watermark]
    Opção de alternativa à Fentanila (II):[cms-watermark]
  • Sufentanila 10 microgramas.[cms-watermark]

Dieta e Hidratação

1. Dieta zero.

2. SF 0,9% ou Ringer lactato a critério do anestesista.

Bloqueio Raquidiano

    1. Anestésico local:
  • Bupivacaína hiperbárica (0,5%) 2,5 mg (0,5 mL) com opioide. Realizar a injeção em 15 segundos.[cms-watermark]
    2. Opioide: Escolha uma das opções:
  • Fentanila 10 microgramas;
  • Sufentanila 5 microgramas.

Peridural

1. Lidocaína (2%) com vasodiconstritor, 5 mL pelo cateter peridural.

Outras Informações

Definição: Consiste na realização de bloqueios espinhais tanto peridural quanto subaracnóideo durante o parto natural, a fim de proporcionar somente a perda da sensibilidade álgica sem interferir na parte motora, possibilitando a continuidade do trabalho de parto, assim como a colaboração e a participação da gestante durante todo o tempo do período expulsivo.

A dor de parto inicia-se com a percepção materna do estímulo álgico no nível central. Os segmentos envolvidos são: T10-L3, responsáveis pela inervação uterina; e S2-S4, responsáveis pelo períneo, pela vagina e pelo colo uterino.

    Divide-se em quatro fases:
  • 1a fase: Dor visceral correspondendo à resistência do colo do útero. As raízes nervosas envolvidas são T10-L1. Subdivide-se em duas subfases:
    • Fase latente: Início das contrações. Fase progressiva e dolorosa que termina quando a paciente atinge 3-4 cm de dilatação;
    • Fase ativa: Fim da fase latente até a dilatação completa do colo uterino (10 cm).
  • 2a fase: Dor visceral. Fase referente à trajetória da descida do feto até o seu nascimento. Raízes nervosas envolvidas S2-S4;
  • 3a fase: Fase do nascimento até a dequitação da placenta;
  • 4a fase: Fim da dequitação.
  • Interação obstetra-anestesista perfeita e sincrônica;
  • Aceitação pela paciente;
  • Venóclise com jelco, preferencialmente 20 ou 18 G;
  • Monitorização básica (ECG, PAM, oxímetro de pulso);
  • O tipo de bloqueio depende da fase do trabalho de parto e do grau de dilatação do colo uterino;
  • A paciente permanece no leito, e a punção pode ser realizada preferencialmente na posição sentada, ou em decúbito lateral esquerdo;
  • O início da analgesia deve ser bastante orquestrado com a equipe obstétrica, uma vez que, se iniciada antes do tempo, pode ocasionar a parada da progressão do trabalho de parto.

Paciente com Dilatação ≤ 8 cm

Pode ser realizado bloqueio peridural simples ou bloqueio combinado (peridural + raquianestesia).

    Bloqueio peridural simples:
  • Punção peridural nos níveis L3-L4 ou L2-L3 (espaço mais fácil que encontrar) com passagem de cateter para as doses de manutenção e para o período expulsivo;
  • Realização de injeção em bólus de Bupivacaína 0,125% 8 mL ou de Ropivacaína 0,2% 8 mL, ambas com 50 microgramas de Fentanila, ou 10 microgramas de Sufentanila, e passagem de cateter peridural. A injeção deve ser realizada sempre aspirando, para que não haja injeção intravascular inadvertida;
  • Após a primeira injeção, realizar manutenção com bólus de, no máximo, 10 mL de Bupivacaína a 0,125% ou Ropivacaína 0,15% com 50 microgramas de Fentanila ou 10 microgramas de Sufentanila pelo cateter a cada 1,5-2 horas, de acordo com a solicitação da paciente. Essa dose é mantida até o período expulsivo, caso haja necessidade. A manutenção também pode ser realizada em infusão contínua;
  • Nessa concentração, não há perda da função motora, tampouco parestesia, o que permite que a paciente deambule durante o processo e participe ativamente do trabalho de parto;
  • Após o nascimento e fim do trabalho de parto, retira-se o cateter, faz-se o curativo e a paciente recebe alta da analgesia.

    Bloqueio combinado:
  • No bloqueio combinado, utiliza-se o cateter peridural para o período de manutenção e o período expulsivo, e a raquianestesia de forma inicial, para um controle mais rápido e eficaz da dor e maior colaboração da paciente;
  • O primeiro bloqueio a ser realizado depende da preferência do profissional. Como o bloqueio peridural é mais demorado pela colocação do cateter, esse pode ser realizado primeiro. Após a passagem somente do cateter (sem injeção de nenhum anestésico), realizar punção raquidiana no espaço inferior (abaixo) ao do bloqueio peridural;
  • Durante a punção raquidiana, administrar 2,5 mg de Bupivacaína pesada 0,5% com 10 microgramas de Fentanila ou 5 microgramas de Sufentanila;
  • Para a manutenção ou no período expulsivo, caso seja necessário, administrar pelo cateter peridural 8 mL de Bupivacaína 0,125% ou 8 mL de Ropivacaína 0,15% associados a 50 microgramas de Fentanila ou 10 microgramas de Sufentanila.

Paciente com Dilatação ≥ 9 cm

  • Algumas vezes, o profissional anestesista é chamado já no período final e expulsivo do trabalho de parto. Nesse caso, é importante que se faça uma analgesia rápida e eficaz;
  • Após assepsia e antissepsia, realizar punção raquidiana com agulha preferencialmente de calibre 27 G nos níveis L2-L3 ou L3-L4 (no melhor espaço palpável disponível);
  • Injeção de 2,5 mg de Bupivacaína pesada 0,5% (0,5 mL) mais 5 microgramas de Sufentanila ou 10 microgramas de Fentanila em 15 segundos. Consegue-se uma analgesia de, aproximadamente, 2,5 horas sem bloqueio motor.

Paciente em Período Expulsivo com Indicação de Fórceps

  • Se a paciente já estiver com cateter peridural, injetar uma solução de 5 mL de Lidocaína 2% com Epinefrina 1:200.000, e, após 5 minutos, liberar a paciente para o procedimento;
  • Se a analgesia foi realizada com raquianestesia, lembrar-se do período de 2,5 horas do início da injeção.

Acompanhamento

  • O acompanhamento do trabalho de parto com analgesia deve ser contínuo, sempre monitorizado, em ambiente hospitalar, com forte interação entre obstetra/anestesista/paciente durante todo o seu percurso até a dequitação placentária e revisão da cavidade uterina;
  • O parto natural é indicação exclusiva do médico obstetra;
  • A paciente deve estar monitorizada todo o momento;
  • A cada dose de manutenção, os sinais vitais devem ser avaliados;
  • A progressão do parto deve ser avaliada periodicamente;
  • A gestante deve ser avaliada após 15 minutos da realização do bloqueio;
  • A avaliação deve abranger bloqueio sensitivo, motor, nível do bloqueio e sinais vitais;
  • Durante o parto, tentar manter o útero deslocado para a esquerda;
  • O anestesista deve acompanhar o trabalho de parto até o fim, mesmo quando houver falha de bloqueio. A falha do bloqueio é determinada quando não há sinais de efetividade após 30 minutos de sua realização;
  • Um trabalho de parto, com analgesia, bem conduzido, oferece à parturiente bem-estar e participação ativa no nascimento, diminuindo a comorbidade materno-infantil.

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