Dor Torácica
Atualizado em: 26 Fev 2026
Definição: Dor torácica é a dor ou desconforto em qualquer local entre a mandíbula e a cicatriz umbilical, incluindo os membros superiores e o dorso (pode ser torácica anterior ou posterior).
A fisiopatologia da dor torácica varia de acordo com sua causa subjacente. Pode ter como base uma causa isquêmica, inflamatória, infecciosa, neoplásica, metabólica, compressiva, traumática, entre outras.
A dor torácica contempla uma ampla diversidade de diagnósticos possíveis, desde etiologias benignas e às etiologias com elevada morbimortalidade.
- Quanto a relação anatômica das múltiplas etiologias, podemos dividir a origem da dor torácica em alguns sistemas:
- Origem cardíaca ou cardiovascular: .
- Coração: Angina estável, angina instável e IAM, Miocardiopatia hipertrófica ou hipertensiva, Valvopatias (estenose aórtica) com ou sem endocardite, Prolapso da valva mitral, Pericardite, Miocardite, Coronarite ou espasmo coronariano (uso de cocaína, por exemplo);
- Aorta: Dissecção aneurismática de aórtica, Ruptura de aneurisma de aorta;
- É a causa mais frequente de motivo de consulta no contexto de urgência/emergência.
- Origem neuromusculoesquelética:
- Medula espinhal e raízes nervosas: Anormalidades articulares cervicais com compressão de raízes ventrais, nevralgia intercostal, efeito compressivo tumoral, mielite transversa, hematomielia;
- Musculoesqueléticas: Síndromes costocondrais e condroesternais e síndrome de Tietze; Síndromes dolorosas miofasciais (fibromialgia, ombro doloroso, entesopatias da caixa torácica e da cintura escapular, síndrome da hiperventilação após vômito ou tosse prolongada);
- Outras: Osteoartrose, osteomielite, contusão muscular, sequelas de cirurgias torácicas, lesão em costela (tosse intensa, anemia falciforme, tumores malignos e osteoporose), mieloma múltiplo, sarcoma, síndrome da fisgada precordial, entre outros;
- É a causa mais frequente de motivo de consulta no contexto ambulatorial.
- Origem pulmonar e mediastino:
- Árvore broncopulmonar, artéria pulmonar e pleura: Pneumonia, pneumotórax, embolia ou infarto pulmonar, pleurite, pleurisia, empiema, bronquiectasia, tuberculose, neoplasia brônquicas, pulmonares e pleurais;
- Mediastino: Mediastinite, pneumomediastino por barotrauma e tumores mediastinais.
- Os tumores mediastinais podem ser classificados em:
- Mediastino anterior: Timoma, tireoide, teratoma, “terrível” linfoma, cisto pericárdico, aneurisma da aorta, lipoma;
- Mediastino médio: Sarcoidose, doença de Hodgkin, cisto dermoide;
- Mediastino posterior: Tumores nervosos, cistos broncogênicos.
- Origem gastrointestinal:
- Esôfago: Doença do refluxo gastroesofágico, espasmo esofágico, hérnia de hiato, obstrução ou ruptura esofágica,
- Diafragma: Irritação por processos infecciosos, químicos ou neoplásicos do diafragma;
- Estruturas subdiafragmáticas: Úlcera péptica e síndromes dispépticas atípicas, doença das vias biliares e pancreatite, distensão gasosa dos cólons.
- Origem psiquiátrica: Dor torácica psicogênica - relação com síndromes depressivas, ansiedade ou crises do pânico;
- Outras: Herpes-zoster, sífilis, mastalgia, feocromocitoma, síndrome de “Munchausen”.
De acordo com a frequência na prática clínica, as etiologias relacionadas ao quadro de dor torácica podem ser classificadas em:
- Causas mais frequentes:
- Angina de peito;
- Síndromes coronarianas agudas (Angina instável e IAM);
- Causas musculoesqueléticas no geral;
- Causas psicogênicas no geral.
- Causas potencialmente graves:
- Cardiovasculares: Síndromes coronarianas agudas;
- Outras causas cardiovasculares de origem isquêmica: Estenose aórtica, miocardiopatia hipertrófica, hipertensão arterial grave, insuficiência aórtica, anemia/hipóxia;
- Outras causas cardiovasculares de origem não-isquêmica: Dissecção de aorta; pericardite.
- Outras causas cardiovasculares de origem isquêmica: Estenose aórtica, miocardiopatia hipertrófica, hipertensão arterial grave, insuficiência aórtica, anemia/hipóxia;
- Neuromusculoesqueléticas: Síndrome do desfiladeiro torácico e disfunção da coluna cervical/torácica;
- Pulmonares: Embolia pulmonar /infarto pulmonar, pneumotórax, pneumonia /pleurisia, neoplasias torácicas (por exemplo, Tumor de Pancoast);
- Gastrointestinais: Ruptura do esôfago (Síndrome de Mallory-Weiss ) e úlcera péptica.
- Causas frequentemente esquecidas:
- Herpes-zóster;
- Espasmo esofágico;
- Refluxo gastresofágico;
- Mastalgias (doença cística da mama, tumores, traumatismos);
- Cólica biliar;
- Fratura costal;
- Prolapso de válvula mitral.
- Uma boa anamnese é elemento primordial para nortear o raciocínio clínico da investigação da dor torácica. Na entrevista clínica, buscar explorar:
- Identificação: Nome, dados como sexo, idade;
- Caráter da dor: Constrição, compressão / aperto, queimação (são características das dores típicas da doença coronariana), pontada, agulhada, dor ventilatório-dependente (dor pleurítica);
- Modo de início, evolução e duração: Agudo, crônico, crônico agudizado; padrão contínuo ou intermitente? Qual o tempo de duração?;
- Localização: Precisa x imprecisa (dor somática x dor visceral), referida x irradiada, perguntar ativamente sobre dor nos locais acometidos de maior relevância na dor torácica (dor retroesternal, em ombro esquerdo, pescoço, face, dentes, região epigástrica, ombro e hemitórax direitos);
- Intensidade:
- Escalas de categoria verbal (classificação autorreferida - leve, moderada e grave);
- Escalas numéricas (de 0 a 10, sendo a pontuação máxima comparada à pior dor já experimentada pelo paciente; bom para avaliar dor aguda);
- Escala visual analógica - EVA (através de reconhecimento de expressões faciais);
- Observação! Nem sempre a intensidade da dor se correlaciona com a gravidade do processo; considerar também apreensão/medo, limiares dolorosos individuais e fatores psicossociais que possam estar envolvidos.
- Escalas de categoria verbal (classificação autorreferida - leve, moderada e grave);
- Fatores de agravamento ou piora: Com esforço físico, estresse, frio, posição ou movimentação do tronco (por exemplo: decúbito dorsal), movimentação cervical;
- Fatores de alívio: Aliviada ou agravada por alimentação, vômitos ou defecação, repouso, uso de vasodilatadores (nitratos);
- Sintomas associados: Sudorese, tosse, dispneia, náusea, vômito, “palpitação”, flatulência, ansiedade;
- História prévia de dor no passado: Perguntar se é o primeiro episódio de dor e em caso de recorrência, buscar comparar com episódios anteriores;
- História patológica pregressa: Comorbidades prévias conhecidas (atenção aos conhecidos fatores de risco cardiovascular: hipertensão arterial, diabetes, dislipidemia, obesidade, sedentarismo), cirurgias prévias, hospitalizações anteriores recentes;
- Hábitos e estilo de vida: Especialmente, tabagismo atual ou prévio (se possível, quantificação com a carga tabágica), consumo de álcool, uso de drogas, exposição a toxinas ambientais;
- Medicamentos e alergias: lista de medicações de uso contínuo atuais, medicações sintomáticas de uso recente e resposta da dor, história de alergias medicamentosas;
- História familiar: Buscar histórico de doenças cardiovasculares, doenças hereditárias;
- Sintomas psicossociais: Estresse, ansiedade, depressão, fatores emocionais que podem influenciar a dor;
- Exames complementares anteriores: Perguntar pela disponibilidade, para efeitos comparativos, de resultados de exames laboratoriais, eletrocardiograma (ECG), ecocardiograma, radiografias torácicas, entre outros.
O resto da conduta está no Klinikagem
Diagnóstico diferencial, exames, tratamento e prescrição desta ficha — e mais 15.136 condutas. Criar conta leva um minuto e libera o acervo completo por 24 horas.
Ver a ficha completaSem cartão. Já tem conta? Entrar