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Sepse

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Klinikagem • MEDICINA INTERNA

Sepse

Atualizado em: 27 Nov 2025

Prescrição Hospitalar

Orientações ao Prescritor

    Recomendações:
  • O pacote de cuidados da primeira hora do manejo da sepse e do choque séptico envolve principalmente o início oportuno da hidratação venosa, antibioticoterapia empírica e avaliação quanto à indicação do uso de drogas vasoativas e analgosedação para intubação orotraqueal em caso de instabilidade hemodinâmica, insuficiência respiratória ou rebaixamento do nível de consciência;
  • Sepse: é necessário começar o antibiótico em 1 hora?
  • Qual o papel do qSOFA na sepse?
  • Proteína C reativa (PCR): o que saber para a prática clínica?
  • Para saber mais sobre a abordagem inicial da sepse, consulte:

Hidratação

A hidratação venosa é etapa fundamental do manejo da sepse e do choque séptico.

Pacientes hipotensos (PAS < 90 mmHg, PAM < 65 mmHg ou redução de 40 mmHg da PAS habitual), com sinais clínicos de hipoperfusão ou elevação dos níveis de lactato duas vezes acima do limite superior de normalidade, deverão receber ressuscitação volêmica imediata com 30 mL/Kg de solução cristaloide durante a 1ª hora do manejo.[cms-watermark]

Não deverá ser utilizada solução coloide para ressuscitação volêmica.

  1. Solução fisiológica a 0,9% – 30 mL/kg IV na primeira hora.*
  2. Ringer lactato – 30 mL/kg IV na primeira hora.*
  3. Ringer simples – 30 mL/kg IV na primeira hora.*

*Convém utilizar métodos para estimar a responsividade a volume e contratilidade cardíaca, como a ultrassonografia à beira-leito , para evitar os efeitos deletérios da hiperidratação, com congestão e piora do choque.

Reavaliar a resposta conforme o clareamento dos níveis de lactato.

Sepse: devo acompanhar o lactato? [cms-watermark]

Vitamina C e Tiamina são úteis no choque séptico?

Dieta

Sugere-se dieta oral zero até estabilização, com possibilidade de adição de reposição calórica mínima endovenosa às etapas de hidratação durante a ressuscitação volêmica;

É possível propor início de dieta enteral após estabilização, se não houver possibilidade de administração de dieta oral e se houver condições hemodinâmicas que permitam o adequado funcionamento intestinal.

Em situações em que se prevê jejum prolongado, considerar nutrição parenteral na Unidade de Terapia Intensiva.

Tratamento Farmacológico

Escolha um dos esquemas a seguir ou associe-os conforme a apresentação clínica. A Norepinefrina é o vasopressor de escolha no choque séptico, seguida pela Vasopressina.

    Medicamentos vasopressores, indicados em caso de choque séptico (refratário a volume). Escolha uma das seguintes opções:
  • Norepinefrina (1 mg/mL) 20 mL + solução glicosada (SG) a 5%: 80 mL (concentração: 200 microgramas/mL). Administrar EV em bomba de infusão contínua (BIC). Dose inicial: 0,05-0,1 micrograma/kg/minuto, titular conforme a resposta;
  • Vasopressina (20 unidades/1 mL) 1 mL + SG 5%: 19 mL (concentração: 1 unidade/mL). Administrar 0,03 unidade/minuto EV em BI;[cms-watermark]
  • Epinefrina (1 mg/mL) 16 mg [cms-watermark]+ SG 5%: 250 mL (concentração: 64 microgramas/mL). Administrar 2-10 microgramas/minuto EV em BIC.
    Inotrópicos, indicados em caso de insuficiência cardíaca ou concomitância de choque cardiogênico. Escolha uma das seguintes opções:
  • Dobutamina (250 mg/20 mL) 20 mL + SG 5%: 230 mL (concentração: 1.000 microgramas/mL);
  • Dobutamina pura (12,5 mg/mL) dose inicial de 1-2,5 microgramas/kg/minuto, titular até a dose máxima de 15-40 microgramas/kg/minuto;
  • Atenção! A Dobutamina pode causar redução da pressão arterial devido à vasodilatação periférica, bem como catalisar o consumo miocárdico. Deve-se ter cuidado ao iniciar seu uso em pacientes hipotensos.
    Sedação de manutenção, indicada em caso de intubação orotraqueal: Escolha uma opção ou a combinação a depender do efeito desejado:
  • Fentanila (50 microgramas/mL): 20 mL + SG 5%: 80 mL (concentração: 10 microgramas/mL). Administrar 0,02-0,05 micrograma/kg/minuto EV em BI;
  • Midazolam (50 mg/10 mL) 30 mL + SG 5% 120 mL (concentração: 1 mg/mL). Administrar 2-20 microgramas/kg/minuto EV em BI;
  • Cloridrato de escetamina (50 mg/mL) 10 mL + SG 5% 490 mL (concentração: 1 mg/mL). Administrar 0,5-2 mg/kg como dose inicial e titular 0,25-0,35 mg/kg em infusão contínua, até no máximo 1 mg/kg/hora EV em BI;
  • Propofol (10 mg/mL) 50 mL puro, em frasco-ampola. Administrar 0,5-2,5 mg/kg como dose inicial e titular 5-50 microgramas/kg/minuto EV em BI.

Se houver indicação de intubação orotraqueal, acesse o conteúdo específico para mais informações.

Antibioticoterapia Empírica

Consulte sempre as drogas antimicrobianas padronizadas e sugeridas pela Comissão de Controle de Infecção Hospitalar de sua instituição para tratamento empírico de infecções comunitárias ou infecções associadas à assistência à saúde (IRAS).

Descalonar o esquema de antibioticoterapia empírica sempre que possível, a partir dos resultados das culturas e testes de sensibilidade aos antimicrobianos.

Leve em consideração condições como: Internação recente ou atual; imunossupressão e foco provável da infecção. Escolha um dos esquemas a seguir.[cms-watermark]

    Sepse pulmonarcomunitária. Escolha um dos esquemas a seguir:
  1. Ceftriaxona 2 g EV de 24/24 horas.
    +
    Azitromicina 500 mg EV de 24/24 horas.
    ou
    Claritromicina
    500 mg EV de 24/24 horas.
  2. Levofloxacino 750 mg EV de 24/24 horas.
    ou
    Moxifloxacino
    400 mg EV de 24/24 horas.
  3. Amoxicilina + clavulanato 1,2 g EV de 12/12 horas.
    +
    Azitromicina
    500 mg EV de 24/24 horas.
    ou
    Claritromicina
    500 mg EV de 24/24 horas.
  4. Em caso de pneumonia broncoaspirativa:

    Amoxicilina + clavulanato 1,2 g EV de 12/12 horas.
    ou
    Clindamicina 600 mg EV de 8/8 horas.
    ou
    Ampicilina + sulbactam 3 g EV de 6/6 horas.
    ou

    Ceftriaxona
    2 g EV de 24/24 horas.
    +
    Metronidazol 500 mg EV de 6/6 horas.
  5. Em caso de suspeita de infecção por Pseudomonas aeruginosa (ex.: DPOC, fibrose cística):

    Ceftazidima 2 g EV de 8/8 horas.
    ou
    Cefepima
    2 g EV de 8/8 horas.
    ou
    Piperacilina + tazobactam
    4,5 g EV de 6/6 horas.
    +

    Azitromicina 500 mg EV de 24/24 horas.
    ou
    Claritromicina
    500 mg EV de 24/24 horas.
  6. Em caso de suspeita de infecção por MRSA:

    Vancomicina 15-20 mg/kg EV de 8/8 a 12/12 horas (alvo de vancocinemia de 15-20 microgramas/mL).
    ou
    Teicoplanina
    400 mg EV de 12/12 horas nas três primeiras doses. Em seguida, 400 mg EV de 24/24 horas.
    ou
    Linezolida
    600 mg EV de 12/12 horas.
    ou
    Ceftarolina 600 mg EV de 12/12 horas.
    Sepse pulmonarIRAS. Escolha um dos esquemas a seguir:
  1. Piperacilina + tazobactam 4,5 g EV de 6/6 horas.
    ou
    Cefepima 2 g EV de 8/8 horas.
    ou
    Aztreonam
    2 g EV de 8/8 horas – Em caso de alergia grave aos betalactâmicos.
  2. Em caso de Swab de rastreio positivo para ESBL ou alta prevalência hospitalar de ESBL:

    Meropeném 1-2 g EV de 8/8 horas.
    ou
    Ceftolozana + tazobactam 3 g EV de 8/8 horas.
  3. Em caso de swab de rastreio positivo para ERC ou alta prevalência hospitalar de ERC:

    Ceftazidima + avibactam 2,5 g EV de 8/8 horas.
  4. Em caso de detecção de Metalobetalactamase:

    Ceftazidima + avibactam 2,5 g EV de 8/8 horas.
    +
    Aztreonam 2 g EV de 8/8 horas.
  5. Em caso de suspeita de infecção por MRSA, associar:

    Vancomicina 15-20 mg/kg EV de 8/8 a 12/12 horas (alvo de vancocinemia de 15-20 microgramas/mL).
    ou
    Teicoplanina
    400 mg EV de 12/12 horas nas três primeiras doses. Em seguida, 400 mg EV de 24/24 horas.
    ou
    Linezolida
    600 mg EV de 12/12 horas.
    ou
    Ceftarolina 600 mg EV de 12/12 horas – não utilizar em associação a outro betalactâmico, substituí-lo.
    Sepse urináriacomunitária. Escolha uma das opções a seguir:
  1. Ceftriaxona 2 g EV de 24/24 horas.
  2. Piperacilina + tazobactam 4,5 g EV de 6/6 horas.
  3. Cefepima 2 g EV de 8/8 horas.
  4. Ciprofloxacino 400 mg EV de 8/8 horas.
  5. Amicacina 15 mg/kg EV de 24/24 horas.
    Sepse urináriaIRAS. Escolha um dos esquemas a seguir.
    Remover ou trocar cateteres vesicais de demora ou outros dispositivos (ex.: cistostomia, nefrostomia), sempre que possível.
  1. Piperacilina + tazobactam 4,5 g EV de 6/6 horas.
  2. Cefepima 2 g EV de 8/8 horas.
  3. Ertapeném 1 g EV de 24/24 horas.
  4. Em caso de swab de rastreio positivo para ESBL ou alta prevalência hospitalar de ESBL:

    Meropeném 1-2 g EV de 8/8 horas.
    ou
    Ceftolozana + tazobactam 3 g EV de 8/8 horas.
  5. Em caso de swab de rastreio positivo para ERC ou alta prevalência hospitalar de ERC:
    Ceftazidima + avibactam 2,5 g EV de 8/8 horas.
  6. Em caso de detecção de Metalobetalactamase:
    Ceftazidima + avibactam 2,5 g EV de 8/8 horas.
    +
    Aztreonam 2 g EV de 8/8 horas.
    Sepse abdominalcomunitária. Escolha um dos esquemas a seguir:
  1. Ceftriaxona 2 g EV de 24/24 horas.
    +
    Metronidazol 500 mg EV de 6/6 horas.
  2. Ciprofloxacino 400 mg EV de 8/8 horas.
    +
    Metronidazol 500 mg EV de 6/6 horas.
    Sepse abdominalIRAS. Escolha um dos esquemas a seguir.
    É fundamental realizar o controle do foco em caso de patologias clínico-cirúrgicas (ex.: apendicite, colecistite, abscessos intra-abdominais)
  1. Cefepima 2 g EV de 8/8 horas.
    +
    Metronidazol 500 mg EV de 6/6 horas.
  2. Piperacilina + tazobactam 4,5 g EV de 6/6 horas.
  3. Em caso de swab de rastreio positivo para ESBL ou alta prevalência hospitalar de ESBL:
    Meropeném 1-2 g EV de 8/8 horas.
  4. Em caso de suspeita de infecção por Enterococcus, associar:

    Vancomicina 15-20 mg/kg EV de 8/8 a 12/12 horas (alvo de vancocinemia de 15-20 microgramas/mL).
    ou
    Teicoplanina
    400 mg EV de 12/12 horas nas três primeiras doses. Em seguida, 400 mg EV de 24/24 horas (em caso de swab de rastreio positivo para VRE ou alta prevalência hospitalar de VRE).
    Sepse cutâneacomunitária. Escolha um dos esquemas a seguir.

    Há vários antibióticos com boa cobertura para germes de pele, inclusive com boa disponibilidade e cobertura anti-MRSA, como o SMX-TMP , mas, tratando-se de sepse e choque séptico, a terapia inicial pressupõe que os pacientes se apresentem em estado grave, sugerindo o uso de glicopeptídeos, lipopeptídeos ou cefalosporinas de 5ª geração.
  1. Vancomicina 15-20 mg/kg EV de 8/8 a 12/12 horas (alvo de vancocinemia de 15-20 microgramas/mL).
    ou
    Teicoplanina
    400 mg EV de 12/12 horas nas três primeiras doses. Em seguida, 400 mg EV de 24/24 horas.
    ou
    Daptomicina 500 mg EV de 24/24 horas.
    ou

    Linezolida
    600 mg EV de 12/12 horas.
    ou
    Ceftarolina 600 mg EV de 12/12 horas.
  2. Pé diabético – considere adicionar cobertura anti-Pseudomonas aeruginosa:

    Piperacilina + tazobactam 4,5 g EV de 6/6 horas.
    ou
    Cefepima 2 g EV de 8/8 horas.
    Sepse cutânea - IRAS. Escolha um dos esquemas a seguir.
    Remover ou trocar dispositivos (ex.: Infecção ao redor do óstio de gastrostomias, cistostomias), sempre que possível.

  1. Piperacilina + tazobactam 4,5 g EV de 6/6 horas.
    ou
    Cefepima 2 g EV de 8/8 horas.
    +
    Vancomicina 15-20 mg/kg EV de 8/8 a 12/12 horas (alvo de vancocinemia de 15-20 microgramas/mL).
    ou
    Teicoplanina
    400 mg EV de 12/12 horas nas três primeiras doses. Em seguida, 400 mg EV de 24/24 horas.
    ou
    Daptomicina 500 mg EV de 24/24 horas.
  2. Ceftarolina 600 mg EV de 12/12 horas.
    Infecção primária de corrente sanguínea:
    Remover ou trocar dispositivos (ex.: acessos venosos profundos, cateteres centrais de inserção periférica, cateteres de hemodiálise), sempre que possível.

  1. Piperacilina + tazobactam 4,5 g EV de 6/6 horas.
    ou
    Meropeném
    1-2 g EV de 8/8 horas.
    +
    Vancomicina
    15-20 mg/kg EV de 8/8 a 12/12 horas (alvo de vancocinemia de 15-20 microgramas/mL).
    ou
    Teicoplanina 400 mg EV de 12/12 horas nas três primeiras doses. Em seguida, 400 mg EV de 24/24 horas.
    ou

    Daptomicina 500 mg EV de 24/24 horas.
    Infecções de sistema nervoso centralcomunitária – meningites agudas:
  1. Ceftriaxona 2 g EV de 12/12 horas.
    +
    Vancomicina 15-20 mg/kg EV de 8/8 a 12/12 horas (alvo de vancocinemia de 15-20 microgramas/mL).
    +

    Aciclovir 10 mg/kg EV de 8/8 horas.
  2. Em pacientes grávidas, em pacientes com idade inferior a 3 anos ou idade superior a 50 anos, associar:
    Ampicilina 2 g EV de 4/4 horas.
    Infecções de sistema nervoso centralIRAS:
    Remover ou trocar dispositivos (ex.: derivações ventriculares, próteses cranianas), sempre que possível.
  1. Meropeném 2 g EV de 8/8 horas.
    +
    Vancomicina 15-20 mg/kg EV de 8/8 a 12/12 horas (alvo de vancocinemia de 15-20 microgramas/mL).
    Sepse de foco indeterminadoPaciente instável e/ou imunossuprimido grave:
  1. Meropeném 1-2 g EV de 8/8 horas.
    +
    Vancomicina
    15-20 mg/kg EV de 8/8 a 12/12 horas (alvo de vancocinemia de 15-20 microgramas/mL).
    ou
    Teicoplanina 400 mg EV de 12/12 horas nas três primeiras doses. Em seguida, 400 mg EV de 24/24 horas.

Profiláticos e Sintomáticos

    1. Anticoagulação profilática. Escolha uma das seguintes opções:
  • Enoxaparina 40 mg SC de 24/24 horas. Corrigir para 0,75 mg/kg se ≥ 78 anos de idade;
  • Dalteparina 5.000 unidades SC de 24/24 horas;
  • Heparina não fracionada (HNF) 5.000 unidades de 8/8 ou 12/12 horas;

Nota: Em pacientes sépticos, não se recomenda anticoagulação se plaquetas < 100.000/mm3 ou INR > 1,5.

    2. Analgésicos e antitérmicos: Se presença de dor ou febre ≥ 37,8°C. Escolha uma das opções:
  • Dipirona sódica (500 mg/mL) 1-2 g EV até de 4/4 horas (dose máxima: 5 g em 24 horas);
  • Dipirona sódica gotas (500 mg/mL) 20-40 gotas VO até de 4/4 horas;
  • Dipirona sódica 500-1.000 mg VO até de 4/4 horas;
  • Paracetamol gotas (200 mg/mL) 35-55 gotas VO até de 6/6 horas;
  • Paracetamol 500-750 mg VO até de 6/6 horas.
    3. Antieméticos: Se presença de náuseas e/ou vômitos. Escolha uma das opções:
  • Metoclopramida (10 mg/2 mL) 10 mg EV, diluídos em água destilada, até de 8/8 horas;
  • Metoclopramida (4 mg/mL) 50 gotas VO de 8/8 horas;
  • Metoclopramida 10 mg VO de 8/8 horas;
  • Bromoprida (10 mg/2 mL) 10 mg EV de 8/8 horas;
  • Bromoprida (4 mg/mL) 1-3 gotas/kg VO de 8/8 horas.
    4. Proteção gástrica: Escolha uma das opções:
  • Omeprazol (40 mg/10 mL) 20-40 mg VO/EV de 24/24 horas, pela manhã;
  • Pantoprazol sódico 20-40 mg VO de 24/24 horas, em jejum;
  • Pantoprazol sódico (40 mg/10 mL) 40 mg EV de 24/24 horas.

Cuidados Adicionais

  1. Glicemia capilar: Monitorar de 1/1 hora.[cms-watermark]
  2. Insulina regular : Administrar SC conforme glicemia capilar (seguir esquema).
  3. Insulina regular : 100 unidades (1 mL) + SF 0,9% 99 mL (solução: 1 unidade/mL) EV em BIC, a critério médico, se disglicemia refratária (glicemia capilar horária).
  4. Balanço hí­drico: Monitorar.
  5. Curva térmica: Acompanhar.[cms-watermark]

Outras Informações

Definição: A sepse é definida como uma condição ameaçadora à vida causada por uma resposta desregulada do hospedeiro a uma infecção. A resposta inflamatória da sepse pode resultar na disfunção de múltiplos órgãos e, eventualmente, na morte. A identificação precoce e o início do manejo em tempo oportuno são os principais fatores capazes de impactar positivamente os desfechos da sepse.[cms-watermark]

As definições a seguir seguem as recomendações do Instituto Latinoamericano de Sepse, baseadas nas diretrizes da Surviving Sepsis Campaign, conforme a publicação do Consenso Sepsis-3, e estão descritas a seguir.

    Síndrome da resposta inflamatória sistêmica (SRIS): Não faz parte dos critérios para definição de sepse. É um instrumento de triagem para identificação de pacientes com infecção e sob risco potencial de apresentar sepse ou choque séptico, caracterizada por:[cms-watermark]
  • Temperatura central > 38,3°C ou < 36°C ou equivalente em termos de temperatura axilar;
  • Frequência cardíaca > 90 bpm;
  • Frequência respiratória > 20 irpm ou PaCO2 < 32 mmHg;
  • Leucócitos totais > 12.000 céls/mm³ ou < 4.000 céls/mm³ ou presença de > 10% de formas jovens (desvio à esquerda).

Infecção sem disfunção orgânica: Paciente com foco infeccioso suspeito ou confirmado, podendo apresentar ou não os critérios de SRIS, sem apresentar disfunção orgânica.

    Sepse: Disfunção orgânica potencialmente fatal causada por uma resposta desregulada do paciente à infecção:
  • A identificação precoce de disfunção orgânica, a partir de um conjunto de variações de sinais, sintomas e alterações laboratoriais, é fundamental para a instituição precoce do tratamento e redução da mortalidade. Esses parâmetros estão contidos em um escore de avaliação denominado SOFA (Sequential Organ Failure Assessment), que, quando aliado à avaliação da perfusão com a dosagem sérica de lactato, permite estimar a gravidade do evento;
  • Disfunção orgânica: Definida por um aumento de ≥ 2 pontos no escore SOFA, que deve ser calculado na admissão do paciente na UTI e recalculado conforme a evolução clínica ou a cada 24 horas. Na ausência de outras explicações plausíveis e com foco infeccioso presumível, a presença de disfunção orgânica pode representar diagnóstico de sepse;
  • Para calcular o escore SOFA, acesse: .

Choque séptico: Sepse, ou seja, infecção com disfunção orgânica, acompanhada de hipotensão não responsiva à utilização de fluidos, independentemente dos valores de lactato.

Objetivamente, caracteriza-se por pressão arterial média (PAM) ≤ 65 mmHg mesmo após reanimação volêmica adequada, necessitando do uso de medicamentos vasopressores para manutenção do alvo pressórico.

Níveis de lactato > 2 mmol/L (18 mg/dL) também podem ser utilizados como marcadores de hipoperfusão, representativos do choque distributivo da sepse, além de auxiliar na titulação da reposição volêmica.

Para mais informações sobre a abordagem inicial da sepse, consulte:

quick-SOFA ou qSOFA: Escore desenvolvido para a rápida identificação à beira do leito, apenas com achados detectáveis no exame físico, de pacientes com infecção que possam evoluir com risco de morte por sepse fora da unidade de terapia intensiva (UTI) e no setor de emergência.

    Esse escore é composto por três sinais clí­nicos. Quando a pontuação é ≥ 2, há uma associação com desfechos desfavoráveis. Os três sinais clínicos são:
  1. Frequência respiratória ≥ 22 irpm.[cms-watermark]
  2. Alteração do ní­vel de consciência.
  3. Pressão arterial sistólica (PAS) ≤ 100 mmHg.[cms-watermark]
    National Early Warning Score (NEWS): Consiste em um sistema de avaliação semelhante ao qSOFA, mas que inclui seis parâmetros fisiológicos, descritos a seguir. Cada parâmetro recebe uma pontuação de 0 a 3; quanto mais alto o valor indica, maior o risco de morte por sepse e maior a necessidade de resposta urgente e monitoramento clínico próximo . Os parâmetros são: [cms-watermark]
  1. Frequência respiratória.[cms-watermark]
  2. Saturação de oxigênio.
  3. Pressão arterial sistólica (PAS).
  4. Frequência cardíaca (FC).
  5. Alteração do nível de consciência.
  6. Temperatura.[cms-watermark]
    Os valores somados e suas classificações indicam:
  • 0-4: Baixo risco (um escore 3 em qualquer parâmetro individual indica, no mínimo, risco baixo-médio);
  • 5-6: Risco médio;
  • ≥ 7: Alto risco.

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