Crise Hipertensiva
Prescrição Hospitalar
Orientações ao Prescritor
- De forma geral, recomenda-se reduzir a pressão arterial (PA) em 10%-15% na primeira hora e em cerca de 25% nas duas horas seguintes e, se o paciente estiver estável, alcançar aproximadamente 160/100 mmHg nas próximas duas a seis horas. A normalização dos níveis pressóricos deve ocorrer ao longo das 24 a 48 horas subsequentes, na maioria das condições clínicas. Contudo, os alvos de PA variam de acordo com o tipo de emergência hipertensiva (EH);
- Crises catecolaminérgicas e edema agudo de pulmão: Alvo de PAS < 140 mmHg na primeira hora;
- Dissecção aguda de aorta: Alvo de PAS < 120 mmHg na primeira hora;
- Para mais informações sobre novidades nas emergências hipertensivas, acesse conteúdo específico sobre o tema;
- Para mais informações sobre os tipos e definições nas emergências hipertensivas, acesse conteúdo específico sobre o tema;
- Para mais informações sobre uso de megabólus de Nitrato na emergência hipertensiva, acesse conteúdo específico sobre o tema.
Dieta e Hidratação
- Dieta zero.
- Hidratação venosa geralmente não é necessária.
Tratamento Farmacológico
Tratamento farmacológico tem como meta a pressão arterial conforme descrito em "Orientações ao Prescritor".
- 1. Vasodilatadores: Escolha uma das opções:
- Nitroprussiato de sódio (50 mg/2 mL) 2 mL + SG 5% 248 mL EV (concentração: 200 microgramas/mL). Dose inicial: 0,25-0,10 microgramas/kg/minuto. Ação de início imediato com duração de 1-2 minutos. Titular conforme resposta, com incrementos de 0,5 micrograma (dose máxima: 2-3 microgramas/kg/minuto);
- Nitroglicerina (50 mg/5 mL) 50 mg + SG 5 % 245 mL EV (concentração: 200 microgramas/mL). Dose inicial: 5-15 miligramas/hora. Ação de início em 2-5 minutos com duração de 3-5 minutos. Titular conforme resposta, podendo aumentar em 10 microgramas/minuto (dose máxima: 60 mL/hora).
- 2. Betabloqueadores: Escolha uma das opções:
- Metoprolol (5 mg/5 mL) 5 mg (ampola) EV, diluído, em 1 minuto. Repetir dose a cada 10 minutos até obter controle da frequência cardíaca (dose máxima: 20 mg); Início de ação em 5-10 minutos com duração de 3-4 horas;
- Esmolol 50-300 microgramas/kg/minuto, solução de 5 gramas (2 ampolas) em SG 5% 500 mL (concentração de 100 mg/mL) EV em bomba infusora. Ataque 500 microgramas/kg; manutenção 25-50 microgramas/kg/minuto; titular aumentos de 25 microgramas/kg/minuto a cada 10-20 minutos (máximo de 300 microgramas/kg/minuto). Início de ação 1-2 minutos, com duração de 1-20 minutos.
Profiláticos e Sintomáticos
- 1. Analgésico e antitérmico: Se presença de dor ou febre ≥ 37,8 °C. Escolha uma das opções:
- Dipirona sódica (500 mg/mL) 1-2 g EV de até 4/4 horas (dose máxima: 5 g em 24 horas);
- Dipirona sódica gotas (500 mg/mL) 20-40 gotas VO de até 4/4 horas;
- Dipirona sódica 500-1.000 mg VO de até 4/4 horas;
- Paracetamol gotas (200 mg/mL) 35-55 gotas VO de até 6/6 horas;
- Paracetamol 500-750 mg VO de até 6/6 horas.
- 2. Antiemético: Se presença de náuseas e/ou vômitos. Escolha uma das opções:
- Metoclopramida (10 mg/2 mL) 10 mg EV, diluído em água destilada, de até 8/8 horas;
- Metoclopramida (4 mg/mL) 50 gotas VO de 8/8 horas;
- Metoclopramida 10 mg VO de 8/8 horas;
- Bromoprida (10 mg/2 mL) 10 mg EV de 8/8 horas;
- Bromoprida (4 mg/mL) 1-3 gotas/kg VO de 8/8 horas.
- 3. Proteção gástrica: Escolha uma das opções:
- Omeprazol (40 mg/10 mL) 20-40 mg VO/EV de 24/24 horas, pela manhã;
- Pantoprazol sódico 20-40 mg VO de 24/24 horas, em jejum;
- Pantoprazol sódico (40 mg/10 mL) 40 mg EV de 24/24 horas.
Cuidados
- Controlar diurese.
- Contabilizar balanço hídrico.
- Ofertar O2 caso saturação < 91%.
- Monitorização cardíaca contínua.
- Pressão arterial invasiva, ou não invasiva a depender da gravidade do quadro.
- Oximetria de pulso.
Outras Informações
Definição: Elevações agudas e importantes da pressão arterial (PA) com ou sem sintomas a depender do subtipo.
- Crise hipertensiva:
- Elevação aguda e importante da PA com ou sem lesão de órgão alvo (LOA) aguda;
- Sem risco iminente à vida.
- Urgência hipertensiva ou "Elevação importante da PA sem LOA progressiva" (novo termo usado pela Sociedade Brasileira de Cardiologia):
- Elevação acentuada da PA (sistólica ≥ 180 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg) E;
- Ausência de sintomas clínicos compatíveis de LOA aguda;
- Sem risco iminente à vida.
- Emergência hipertensiva (EH):
- Elevação acentuada da PA (sistólica ≥ 180 mmHg ou diastólica ≥ 110 mmHg) E;
- Presença de sintomas clínicos compatíveis de LOA aguda:
- Atenção! Em casos de LOA aguda e progressiva, a condição é considerada emergência hipertensiva mesmo quando os níveis de PA são < 180x110 mmHg;
- Risco iminente à vida.
- Pseudocrise hipertensiva:
- Ocorre em hipertensos tratados e não controlados, ou em hipertensos não tratados, com medidas de PA muito elevadas, mas oligossintomáticos ou assintomáticos;
- Frequentemente relacionada a evento emocional, doloroso, ou algum desconforto (hiperatividade simpática);
- Sem risco iminente à vida.
A crise hipertensiva tem uma prevalência de 0,45% a 0,59% entre os serviços de emergência hospitalar, sendo a EH as emergências hipertensivas (EH) responsáveis por aproximadamente 25% desses casos.
O acidente vascular cerebral isquêmico (AVCi) e o edema agudo pulmonar (EAP) são as EH mais frequentes.
A mortalidade das EH pode chegar a 80% em 1 ano se não tratada. A sobrevida até 5 anos é maior em indivíduos com elevação importante da PA sem LOA aguda (urgência hipertensiva) do que com EH.
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