Cetoacidose Diabética
Atualizado em: 27 Fev 2025
Prescrição Hospitalar
Orientações ao Prescritor
- Orientações gerais:
- O tratamento inclui reposição volêmica, correção da hiperglicemia com insulina e de distúrbios eletrolíticos (principalmente hipocalemia), manutenção de vias áreas pérvias, reversão da acidose e manejo do fator desencadeante (ex.: infecção);
- Os casos moderados a graves devem ser admitidos em unidade de terapia intensiva;
- Uma importante etapa no manejo é a identificação e tratamento de fatores precipitantes (ex.: infecção);
- Atenção à complicações frequentes: edema cerebral e hipoglicemia.
- Insulinoterapia:
- A administração de Insulina EV deve ser iniciada o mais rápido possível após o diagnóstico, apenas quando os níveis séricos de potássio estiverem acima de 3,5 mEq/L;
- Pode ser realizado bólus de 0,1 unidade/Kg IV, seguido de 0,1 unidade/Kg/hora em bomba de infusão contínua (BIC);
- Quando a glicemia atingir níveis de < 250 mg/dL, reduzir a velocidade de infusão para 0,05 unidade/kg/hora;
- Checar eletrólitos, função renal, gasometria venosa e glicemia a cada 2 horas até estabilidade do paciente;
- Quando glicemia < 200-250 mg/dL, reduzir infusão de Insulina para 0,02-0,05 unidade/kg/hora e associar Soro glicosado 5% , objetivando manter glicemia entre 150-200 mg/dL até resolução da cetoacidose;
- Utilizar o Soro glicosado 5% desde o início, na cetoacidose euglicêmica.
- Conversão de Insulina venosa para Insulina subcutânea:
- A infusão de Insulina EV deve ser continuada por 1-2 horas após o início da Insulina SC, pois a interrupção abrupta da Insulina EV pode resultar em recorrência de hiperglicemia;
- Enquanto o paciente não estiver se alimentando, manter infusão EV e reposição de fluidos;
- Assim que o paciente conseguir alimentar-se e estiver bem controlado do ponto de vista clínico e laboratorial, inicia-se insulinoterapia basal com Insulina humana de ação intermediária ou com análogos de Insulina de longa ação, em associação à múltiplas injeções de Insulina regular ou análogos de Insulina ultrarrápidos antes das refeições.
- Prescrição de Insulina após resolução da cetoacidose diabética (CAD):
- Diagnóstico prévio de diabetes: Reiniciar o mesmo esquema de Insulina que vinham fazendo antes da CAD;
- Pacientes recém-diagnosticados ou adultos que não usavam Insulina previamente: Podem receber uma dose inicial total de 0,5-0,6 unidades/kg/dia (basal-bólus).
Dieta e Hidratação
1. Dieta zero.
- 2. Hidratação EV: Etapa rápida seguida por escolha dos demais fluidos, que dependerá do sódio e do estado volêmico do paciente:
- Etapa rápida: 1.000-1.500 mL de SF 0,9% na primeira hora (15-20 mL/kg/hora);
- Hipovolemia moderada: Corrigir sódio sérico antes de hidratar:
- Sódio sérico normal a alto: Solução salina de NaCl 0,45% (250-500 mL/hora);
- Sódio sérico baixo: Solução isotônica de NaCl 0,9% (250-500 mL/hora).
- Hipovolemia severa: Solução isotônica de NaCl 0,9% a 1 L/hora;
- Choque cardiogênico : Vasopressores hemodinâmicos.
Tratamento Farmacológico (Correção de Eletrólitos)
Escolha um dos esquemas ou associe-os conforme necessidade clínica:
- Esquema A: Correção de potássio: Administrar solução de potássio conforme esquema abaixo:
- Solução: Cloreto de potássio 10% (1 g/10 mL) 10 mL + NaCl 0,45% 100 mL (concentração: 1,34 mEq/mL):
- Se potássio sérico < 3,5 mEq/L: Administrar KCl 10-20 mEq/hora em cada litro de fluido EV até potássio > 3,5 mEq/L. Checar K+ a cada 1 hora. Iniciar infusão de insulina apenas quando potássio > 3,5;
- Se potássio sérico entre 3,5-5,0 mEq/L: Administrar KCl 10-20 mEq em cada litro de fluido EV para manter potássio entre 4-5 mEq/L. Checar K+ a cada 2 horas. Insulina pode ser iniciada associada à reposição de potássio;
- Se potássio sérico > 5,0 mEq/L: Iniciar insulina e aguardar próxima dosagem (em 2 horas) para planejar reposição.
- Esquema B: Correção de acidose (Monitorar potássio a cada 2 horas): Administrar solução de bicarbonato conforme esquema abaixo:
- Solução: Bicarbonato de sódio 8,4% (1 mEq/mL) 100 mL + SF 0,9% 400 mL (concentração: 0,2 mEq/mL): Escolha uma das opções conforme pH:
- Se pH < 7,0: Administrar solução de Bicarbonato em 2 horas e, se necessário, repetir a dose até que pH ≥ 7,0. Observação! Checar K+ a cada 2 horas;
- Se pH ≥ 7,0: Não administrar solução.
Lembrando que a administração de bicarbonato não é recomendada de forma rotineira na cetoacidose diabética, apenas em quadros mais graves em que o pH esteja menor que 7,0.
Tratamento Farmacológico (Insulinoterapia)
Para mais informações sobre insulinoterapia, conversão de insulina venosa para insulina subcutânea e prescrição de insulina após resolução da cetoacidose diabética (CAD), acesse "Orientações ao Prescritor": Escolha um dos esquemas:
- Esquema A: CAD moderada a grave:
- Insulina regular (100 unidades/mL) 1 mL + SF 0,9% 99 mL (concentração: 1 unidade/mL). Administrar 0,1 unidade/kg EV em bólus, seguida de 0,1 unidade/kg/hora EV em BIC. Titular pela resposta.
- Esquema B: CAD leve: Escolha uma das opções:
- Insulina regular (100 unidades/mL) 0,3 unidade/kg SC, dose única, seguida de 0,2 unidade/kg SC de 2/2 horas;
- Lispro (100 unidades/mL) 0,2-0,3 unidade/kg SC, dose única, seguido de 0,1 unidade/kg SC de 2/2 horas;
- Asparte (100 unidades/mL) 0,2-0,3 unidade/kg SC, dose única, seguido de 0,1 unidade/kg SC de 2/2 horas.
Profiláticos e Sintomáticos
- 1. Analgésico e antitérmico: Se presença de dor ou febre ≥ 37,8°C. Escolha uma das opções:
- Dipirona sódica (500 mg/mL) 1-2 g EV até de 4/4 horas (dose máxima: 5 g em 24 horas);
- Paracetamol (10 mg/mL) 1 g EV de 6/6 horas (dose máxima 4 g em 24 horas).
- 2. Antiemético: Se presença de náuseas e/ou vômitos. Escolha uma das opções:
- Metoclopramida (10 mg/2 mL) 10 mg EV, diluído em água destilada, até de 8/8 horas;
- Bromoprida (10 mg/2 mL) 10 mg EV de 8/8 horas;
- Ondansetrona (2 mg/mL) 4-8 mg EV de 8/8 horas.
- 3. Proteção gástrica: Escolha uma das opções:
- Omeprazol (40 mg/10 mL) 20-40 mg VO/EV de 24/24 horas, pela manhã;
- Pantoprazol sódico (40 mg/10 mL) 40 mg EV de 24/24 horas.
Cuidados
- Curva térmica.
- Ventilação mecânica ou O2 sob máscara, a critério médico.
- Glicemia capilar a cada hora. Se os valores estiverem estáveis por 3 horas, aumentar o intervalo da monitoração para 2 horas.
- Colher sangue venoso para função renal e eletrólitos a cada 2 horas, pH e Bicarbonato de 4/4 horas, até estabilização do quadro.
Outras Informações
Definição: Uma das complicações metabólicas agudas mais graves do diabetes, a cetoacidose diabética (CAD) caracteriza-se pela tríade composta por hiperglicemia, hipercetonemia e acidose metabólica.
Quase 1% de todas as internações em pessoas com diabetes são por crises hiperglicêmicas.
A maioria dos eventos de cetoacidose diabética ocorre em adultos jovens de 18 a 44 anos, e até 21% dos adultos podem apresentar CAD como diagnóstico inicial de diabetes tipo 1.
A condição fisiopatológica básica é a insulinopenia. Ocorre aumento de hormônios contrarregulatórios (Glucagon, catecolaminas, Cortisol e GH) ocasionando em: Utilização prejudicada da glicose em tecidos periféricos, gliconeogênese hepática e renal aumentadas e aumento da glicogenólise. A maioria dos pacientes com CAD tem diabetes mellitus tipo 1. No entanto, pacientes com diabetes mellitus tipo 2 também correm risco de desenvolver CAD durante o estresse catabólico de eventos agudos (ex.: traumas, cirurgias, infecções).
Portanto, os distúrbios metabólicos na cetoacidose diabética resultam da combinação de deficiência absoluta ou relativa de insulina (níveis insuficientes para suprimir a gliconeogenese e a produção de cetona) e elevação de hormônios contrarreguladores (glucagon, adrenalina, noradrenalina, cortisol e hormônio do crescimento).
O resto da conduta está no Klinikagem
Diagnóstico diferencial, exames, tratamento e prescrição desta ficha — e mais 15.136 condutas. Criar conta leva um minuto e libera o acervo completo por 24 horas.
Ver a ficha completaSem cartão. Já tem conta? Entrar