Dislipidemia
Atualizado em: 29 Jan 2026
Prescrição Ambulatorial
Orientações ao Prescritor
- Estimular o paciente a realizar mudança do estilo de vida com atividade física regular e acompanhamento nutricional.
Tratamento Farmacológico
Escolha um dos esquemas:
- Esquema A: Estatinas. A escolha de qual estatina iniciar e em qual dose depende da estratificação de risco cardiovascular e da consequente meta de LDL-c:
- Rosuvastatina 5-40 mg/dia;
- Atorvastatina 10-80 mg/dia;
- Sinvastatina 10-80 mg/dia;
- Pravastatina 10-40 mg/dia;
- Pitavastatina 2-4 mg/dia.
- Esquema B: Se o paciente com contraindicação ao uso de estatinas, pode-se utilizar Ezetimiba ou Colestiramina ou inibidores de PCSK-9 com ou sem Ezetimiba ou associação de Ácido bempedoico com Ezetimiba. Escolha uma das opções:
- Ácido bempedoico + ezetimiba 180/10 mg/dia;
- Ezetimiba 10 mg/dia;
- Colestiramina 4 g VO 1-2x/dia, progredindo a dose com intervalos de 1 mês. Dose máxima: 24 g/dia;
- Inibidores de PCSK9:
- Evolocumabe 140 mg SC a cada 2 semanas ou 420 mg SC 1x/mês.
- Evolocumabe 140 mg SC a cada 2 semanas ou 420 mg SC 1x/mês.
- Esquema C: Em casos de pacientes com doença cardiovascular bem estabelecida e doses otimizadas de estatina e ezetimiba, porém com LDL fora do alvo, recomenda-se inibidores de PCSK9:
- Evolocumabe 140 mg SC a cada 2 semanas ou 420 mg SC 1x/mês.
Orientações ao Prescritor
- Os fibratos são redutores da síntese hepática de VLDL, estando indicados quando TG > 500 mg/dL;
- Casos de rabdomiólise têm sido descritos com o uso da associação de estatinas com a Genfibrozila. Recomenda-se evitar essa associação;
- Em caso de hiperlipidemia mista, iniciar com fibrato, se triglicerídeos > 500 mg/dL, ou com estatina, se triglicerídeos < 500 mg/dL.
Tratamento Farmacológico
- 1. Fibratos: Escolha uma das opções:
- Genfibrozila (600 ou 900 mg/comprimido) 900 mg VO de 24/24 horas ou 600 mg VO de 12/12 horas em uso contínuo;
- Fenofibrato (160, 200 ou 250 mg/comprimido) 160-250 mg VO de 24/24 horas em uso contínuo;
- Bezafibrato (200 mg/comprimido) 100-200 mg VO de 12/12 ou de 8/8 horas em uso contínuo;
- Ciprofibrato (100 mg/comprimido) 100 mg VO de 24/24 horas em uso contínuo.
Orientações ao Paciente
- Mudanças no estilo de vida são importantes: Alimentação com redução de gordura saturada e colesterol e com estímulo ao consumo de vegetais e fibras, cessação do tabagismo, redução do consumo de álcool, atividade física aeróbica;
- No caso de duas tomadas diárias de fibratos, recomenda-se seu uso 30 minutos antes do café e do jantar.
Orientações ao Prescritor
Os fibratos podem ser associados às estatinas nesses casos.
Tratamento Farmacológico
- 1. Fibratos. Escolha uma das opções:
- Genfibrozila (600 ou 900 mg/comprimido) 900 mg VO de 24/24 horas ou 600 mg VO de 12/12 horas em uso contínuo;
- Fenofibrato (160, 200 ou 250 mg/comprimido) 160-250 mg VO de 24/24 horas em uso contínuo.
Orientações ao Paciente
- Mudanças no estilo de vida são importantes: Alimentação com redução de gordura saturada e colesterol e com estímulo ao consumo de vegetais e fibras, cessação do tabagismo, redução do consumo de álcool, atividade física aeróbica.
Orientações ao Prescritor
- Hipercolesterolemia isolada: Prescrever Sinvastatina;
- Hipertrigliceridemia isolada > 500 mg/dL: Prescrever fibratos. No entanto, na maioria dos municípios, não há fibratos disponíveis pela rede SUS;
- Hiperlipidemia mista: Fibrato se triglicerídeos > 500 mg/dL ou estatina em uso contínuo se triglicerídeos < 500 mg/dL.
Tratamento Farmacológico
Escolha uma das classes ou associe-as conforme orientações ao prescritor:
- Classe A: Estatinas:
- Sinvastatina (geralmente disponível no SUS) (20 mg/comprimido) 10-80 mg VO de 24/24 horas em uso contínuo.
- Classe B: Fibratos. Escolha uma das opções:
- Ciprofibrato (100 mg/comprimido) 100 mg VO de 24/24 horas em uso contínuo;
- Fenofibrato (160, 200 ou 250 mg/comprimido) 250 mg VO de 24/24 horas em uso contínuo;
- Bezafibrato (200 mg/comprimido) 100-200 mg VO de 12/12 ou de 8/8 horas em uso contínuo.
Orientações ao Paciente
- Mudanças no estilo de vida são importantes: Alimentação com redução de gordura saturada e colesterol e com estímulo ao consumo de vegetais e fibras, cessação do tabagismo, redução do consumo de álcool, atividade física aeróbica.
Outras Informações
Definição: Conjunto de distúrbios do metabolismo que cursam com alterações nos níveis séricos dos lipídeos, ou melhor, das lipoproteínas. As lipoproteínas são o resultado da associação de lipídeos (substâncias hidrofóbicas) + proteínas carreadoras chamadas apolipoproteínas (Apo), que permitem a solubilização e o transporte dos lipídeos no meio aquoso do plasma. Nas dislipidemias, há alteração nos níveis séricos de lipoproteínas, com diferentes subtipos de dislipidemia de acordo com qual(is) lipoproteína(s) está(ão) alterada(s).
- No organismo humano, os lipídeos biologicamente mais relevantes são o colesterol, os triglicerídeos (TG), os fosfolipídeos e os ácidos graxos (AG). O colesterol e os TG são os principais lipídeos plasmáticos.
- O colesterol serve como precursor de hormônios esteroides, dos ácidos biliares e da vitamina D, e é componente estrutural das membranas celulares, permitindo fluidez destas e ativação de suas enzimas.
- Os TG são constituídos pela ligação de 3 AG a uma molécula de glicerol e são uma das formas de armazenamento energético mais importantes no organismo, depositados nos tecidos adiposo e muscular.
- Os lipídeos são transportados no plasma em associação a proteínas carreadoras apolipoproteínas (Apo), constituindo as lipoproteínas.
- Existem dois grupos de lipoproteínas:
- Ricas em TG: Estruturas maiores e menos densas. São elas: os quilomícrons e as lipoproteínas de densidade muito baixa ou very low density lipoprotein (VLDL);
- Ricas em colesterol: São elas: as lipoproteínas de densidade baixa ou low density lipoprotein (LDL), de densidade intermediária ou intermediary density lipoprotein (IDL), ou de densidade alta ou high density lipoprotein (HDL), e a lipoproteína (a) [Lp(a)] que é formada pela ligação de uma partícula de LDL à Apo(a).
O acúmulo de lipoproteínas ricas em colesterol, como a LDL, no plasma resulta na dislipidemia do subtipo hipercolesterolemia; o acúmulo de quilomícrons e/ou de VLDL resulta em hipertrigliceridemia.
Anamnese
Quadro clínico: Em todos os pacientes com dislipidemia, deve-se investigar se há condições (doenças ou medicamentos) que possam ter levado a uma dislipidemia secundária e cujo controle ou suspensão do medicamento (caso possível) melhore ou reverta a dislipidemia.
- Doenças:
- Associadas à hipercolesterolemia:
- Hipotireoidismo;
- Síndrome nefrótica;
- Colestase;
- Anorexia.
- Hipotireoidismo;
- Associadas à hipertrigliceridemia:
- Diabetes tipo 2;
- Síndrome de Cushing;
- Obesidade;
- Pancreatite aguda;
- Etilismo;
- Lipodistrofia;
- AIDS.
- Diabetes tipo 2;
- Medicamentos:
- Diuréticos e betabloqueadores: Aumentam TG e reduzem HDL-c;
- Anticoncepcionais e corticosteroides: Aumentam TG e CT;
- Inibidores de protease: Aumentam muito TG e aumentam CT;
- Anabolizantes: Aumentam CT e reduzem HDL-c;
- Isotretinoína e Ciclosporina: Aumentam TG, CT e HDL-c.
Quanto à história familiar, perguntar sobre: Dislipidemias e doença arterial coronariana (DAC) precoce (antes de 55 anos em homens ou antes de 65 anos de idade em mulheres) em parentes de primeiro grau. Essas perguntas auxiliam a entender se o quadro é de dislipidemia com provável componente genético (dislipidemia primária) e, possivelmente, com maiores complicações – sobretudo, maior risco cardiovascular.
Lembrar que dislipidemias que cursam com hipertrigliceridemia importante (TG > 500) podem ter como quadro clínico ou complicação frequente pancreatites de repetição.
Já as dislipidemias com hipercolesterolemia ou com ambas as alterações (TG e CT elevados) têm como complicação a doença vascular aterosclerótica.
Existe uma correlação positiva contínua entre a concentração plasmática de colesterol e a doença vascular aterosclerótica, em especial a DAC. Um evento coronariano agudo é a primeira manifestação da doença aterosclerótica em, pelo menos, 50% dos indivíduos que apresentam essa complicação.
A identificação dos indivíduos assintomáticos que estão mais predispostos à DAC é de extrema importância para a prevenção eficaz. Uma das estratégias mais eficazes de prevenção é o controle da dislipidemia com metas terapêuticas de acordo com o risco cardiovascular.
- Fatores de risco para DAC:
- Idade (homens ≥ 48 anos e mulheres ≥ 54 anos);
- Diabetes;
- Hipertensão arterial;
- Obesidade;
- Tabagismo;
- Sedentarismo;
- História familiar de DAC precoce (em homens < 55 anos ou em mulheres < 65 anos).
Exame Físico
As alterações características das dislipidemias são incomuns, mas, se presentes, ajudam a identificar a existência e a classificar o subtipo de dislipidemia.
- São elas:
- Arco corneano (anel opaco esbranquiçado ao redor da íris): hipercolesterolemia;
- Xantelasmas (placas amareladas e amolecidas na região das pálpebras): hipercolesterolemia;
- Xantoma tendinoso (massas fusiformes situadas em tendões, principalmente no tendão de Aquiles e nos extensores das mãos): hipercolesterolemia familiar;
- Xantoma tuberoso (lesões cutâneas de cor alaranjada, situadas em região extensoras – joelhos e cotovelos): disbetalipoproteinemia;
- Xantoma palmar (nódulos amarelados, situados nos sulcos da palma da mão): disbetalipoproteinemia;
- Xantomas eruptivos (erupções cutâneas de cor amarelada com 2-5 mm, situadas em região de nádegas e superfícies extensoras): hipertrigliceridemia grave (TG > 2.000 mg/dL);
- Lipemia retinalis (aparência cremosa e fina das artérias e veias da retina no exame de fundo do olho): hipertrigliceridemia grave (TG > 2.000 mg/dL);
- Crises recorrentes de dor abdominal: Podem estar associadas a pancreatite por hipertrigliceridemia grave (TG >1.000 mg/dL).
O resto da conduta está no Klinikagem
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