Hipotireoidismo
Atualizado em: 15 Mai 2025
Prescrição Ambulatorial
Orientações do Prescritor
- Objetivos do tratamento: Restaurar o estado eutireoideo e controlar os sintomas e as alterações metabólicas decorrentes da disfunção hormonal;
- Indicações de tratamento:
- Todos com hipotireoidismo clínico (TSH > 10 e T4L baixo);
- Todos com hipotireoidismo subclínico e TSH persistentemente > 10 mU/L, exceto em indivíduos idosos ou idosos muito frágeis com TSH entre 10-20 mU/L;
- Em casos de hipotireoidismo subclínico e TSH persistentemente < 10mU/L, tratar seletivamente alguns pacientes a exemplo: sinais e sintomas compatíveis com hipotireoidismo, presença de bócio, mulheres com desejo de gestar em curto espaço de tempo, presença de anti-TPO e pacientes com alto risco cardiovascular e TSH > 7 mU/L.
- Após o início do tratamento, dosar o TSH em 6-8 semanas:
- Repetir o mesmo procedimento a cada ajuste de dose até alcançar o TSH alvo;
- Depois disso, monitorar a cada 6-12 meses (ou em menor tempo, se houver novos sintomas).
- TSH alvo:
- < 60 anos: 1-2,5 mU/L;
- 60-70 anos: 3-4 mU/L;
- ≥ 70 anos: 4-6 mU/L.
- Em pacientes com mais de 80 anos e/ou com doença cardíaca isquêmica ou insuficiência cardíaca, sugere-se iniciar a terapia com T4 em doses mais baixas (12,5-25 microgramas/dia), com ajustes a cada 15 dias, conforme necessário;
- Idealmente, sempre usar a mesma formulação da Levotiroxina para evitar oscilações hormonais;
- Caso o paciente use outras medicações que devam ser administradas em jejum, na maioria dos casos, será priorizada a terapia hormonal, sendo algumas exceções os bisfosfonatos orais e a Semaglutida oral:
- Ex.: em jejum, Levotiroxina tomada 1 hora antes e Omeprazol 30 minutos antes do café da manhã.
Tratamento Farmacológico
- 1. Hormônio sintético: Levotiroxina sódica (12,5 a 300 microgramas/comprimido) conforme Orientações ao Prescritor e informações abaixo:
- A dose de manutenção geralmente é de 1,6-1,8 microgramas/kg, que geralmente varia entre 50-200 microgramas/dia;
- Em pacientes com menos de 80 anos e sem comorbidades, podemos já iniciar essa dosagem de 1,6 micrograma/kg;
- Aumentar dose em 12,5-25 microgramas/dia, se o TSH permanecer acima do intervalo normal de referência após 6-8 semanas de terapia.
Condições Especiais
- Hipotireoidismo na gestação:
- TSH ≤ 2,5 mUI/L: Eutireoidismo;
- TSH > 2,5 e ≤ 4 mUI/L: Eutireoidismo. Em casos de anti-TPO positivo, iniciar com Levotiroxina 50 microgramas/dia;
- TSH > 4 mUI/L e ≤ 10 mUI/L: Solicitar T4L e iniciar Levotiroxina 1 micrograma/kg/dia. Em caso de T4L normal, manter Levotiroxina 1 micrograma/kg/dia ; porém se T4L baixo: aumentar a dose para 2 microgramas/kg/dia;
- TSH > 10 mUI/L: Iniciar Levotiroxina 2 microgramas/kg/dia.
- Hipotireoidismo no puerpério:
- Hipotireoidismo prévio à gestação: Retorno à dose pré-gestacional;
- Hipotireoidismo diagnosticado na gestação ou anti-TPO positivo: Suspender se dose de Levotiroxina for < 50 microgramas/dia e reavaliar em 6 semanas, mas se a dose for > 50 microgramas/dia: reduzir a dose em 25-50 % e reavaliar a cada 6 semanas.
Outras Informações
Descrição das figuras 1 e 2: Ultrassonografia de tireoide evidenciando glândula aumentada, heterogênea, contendo algumas áreas hipoecoicas mal definidas. Ao color Doppler, observa-se aumento difuso da vascularização do parênquima glandular.
Tireoidite de Hashimoto: Também conhecida como tireoidite linfocítica crônica, trata-se de uma doença autoimune, ocorrendo, mais comumente, em adolescentes e mulheres jovens (cinco a oito vezes mais comum nas mulheres quando comparado aos homens).
A tireoidite de Hashimoto é a causa mais comum de hipotireoidismo permanente em regiões sem deficiência na ingestão de iodo, correspondendo a mais de 90% dos casos. Uma história familiar positiva de doença tireoidiana é comum e o risco da doença aumenta nos pacientes portadores de cromossomopatias, incluindo síndrome de Turner, Down e Klinefelter. Existe também uma maior associação com outras doenças autoimunes, como artrite reumatoide, lúpus, bem como associação com endocrinopatias, como diabetes mellitus e hipoparatireoidismo.
Quadro clínico: A maioria dos pacientes, inicialmente, é eutireoidea e com a evolução da doença torna-se hipotireoidea. Boa parte dos casos não requer avaliação por imagem, mas nos casos duvidosos ela torna-se necessária.
- Exames de imagem: O grande exame para avaliação da glândula tireoide é a ultrassonografia.
- Ultrassonografia de tireoide: Os principais achados são aumento glandular difuso, com parênquima tireoidiano apresentando textura heterogênea, contendo múltiplos pequenos nódulos hipoecoicos, refletindo a infiltração por tecido linfoide e degeneração folicular. Na maioria dos casos, há aumento da vascularização no estudo com Doppler colorido. Em fases mais tardias da doença, a glândula tireoidiana pode apresentar dimensões reduzidas e hiperecoica, com vascularização reduzida ao Doppler colorido, traduzindo evolução para atrofia e fibrose (figura 2).
Diagnósticos diferenciais: Linfoma de tireoide , carcinoma papilífero de tireoide, tireoidite de Quervain.