Pré-eclâmpsia
Atualizado em: 13 Fev 2025
Prescrição Ambulatorial
Orientações ao Prescritor
- Quando houver aumento pressórico durante ou após 20 semanas de gestação, deve-se investigar pré-eclâmpsia;
- Programar o parto a partir de 37 semanas no caso de pré-eclâmpsia;
- Continuar avaliando a curva pressórica no pós-parto imediato até 42 dias:
- Muitas vezes, a paciente mantém o esquema anti-hipertensivo que fez uso durante a internação para, posteriormente, reduzir as medicações ou continuar utilizando-as.
- Recomenda-se o uso do Metoprolol, Carvedilol e Hidralazina como terceiro fármaco para associação de medicamentos para controle pressórico ou no caso de impossibilidade de uso dos agentes de primeira escolha.
Tratamento Farmacológico
- 1. Anti-hipertensivo: Escolha uma das opções:
- Metildopa (250-500 mg/comprimido) 750 mg-2 g/dia VO de 6/6 horas (1ª escolha);
- Nifedipino retard (20 mg/comprimido) 20 mg VO de 12/12 horas;
- Hidralazina (25-50 mg/comprimido) 50-150 mg/dia VO de 8/8 horas;
- Clonidina (0,1-0,2 mg/comprimido) 0,2-0,6 mg/dia VO de 8/8 horas;
- Anlodipino (2,5 mg, 5 mg, 10 mg/comprimido) 5-20 mg/dia VO de 12/12 horas;
- Metoprolol (25 mg, 50 mg, 100 mg/comprimido) 100-200 mg/dia VO de 12/12 horas;
- Carverdilol (6,25 mg, 12,5 mg/comprimido) 12,5-50 mg/dia VO de 12/12 horas.
- 2. A partir de 12 semanas, nas pacientes com alto risco de hipertensão:
- Ácido acetilsalicílico 100 mg VO 1x/dia. Usar até 36 semanas.
Tratamento Farmacológico
- 1. Anti-hipertensivos: Escolha uma das opções:
- Hidralazina (geralmente disponível no SUS) (5 mg/ampola) 5 mg EV de 30/30 minutos (dose máxima: 20 mg) até PAS < 160 e PAD < 110;
- Nifedipino (10 mg/comprimido) 1 comprimido VO de 30/30 minutos até PAS < 160 e PAD < 110.
- 2. A partir de 12 semanas nas pacientes com alto risco de hipertensão:
- Ácido acetilsalicílico 100 mg VO 1x/dia. Usar até 36 semanas.
Prescrição Hospitalar
Orientações ao Prescritor
- Estabilização clínica para proporcionar um parto seguro;
- Cuidados gerais na crise convulsiva: Permeabilidade das vias respiratórias e assistência ventilatória, posição parcialmente sentada, administração de oxigênio e proteção da língua;
- Atentar para os sinais de intoxicação por Sulfato de magnésio: Abolição do reflexo patelar, frequência respiratória ≤ 14 irpm e diurese < 25 mL/hora;
- Se necessária internação prolongada, fornecer aporte calórico mínimo (100 g de glicose = 400 kcal).
Dieta e Hidratação
1. Dieta oral zero.
2. Acesso venoso salinizado.
Tratamento Farmacológico
Escolha um dos esquemas a seguir.
Esquema A: Esquema com associação Zuspan:
I. Sulfato de magnésio 50% (5 g/10 mL) 8 mL + 12 mL de AD EV, lentamente (15-20 minutos), como dose de ataque.
+
II. Sulfato de magnésio 50% (5 g/10 mL) 40 mL + 460 mL de SG 5% (concentração: 40 mg/mL). Administrar 1-2 g/hora (25-50 mL/hora) e manter por 24 horas após o parto.
Esquema B: Esquema com associação Pritchard:
I. Sulfato de magnésio 50% (5 g/10 mL) 8 mL + 12 mL de AD (200 mg/mL) EV em 20 minutos associado a 10 mL (5 g) IM em cada glúteo, com agulha de 10 cm e calibre 20, como doses de ataque.
+
II. Sulfato de magnésio 50% (5 g/10 mL) 10 mL IM de 4/4 horas, alternando os glúteos.
Tratamento Farmacológico – Adjuvante
Escolha um dos esquemas, conforme a apresentação clínica.
- Esquema A: Se Hipertensão arterial aguda:
- Hidralazina (20 mg/1 mL) diluir 1 mL + SF 0,9% 19 mL (concentração: 1 mg/mL) e infundir 5 mL EV lentamente:
- Se necessário, repetir 5-10 mL, até o máximo de 20 mg, a cada 20-30 minutos, com PA alvo < 160 x 110 mmHg;
- Tem efeito em até 2-4 horas após a administração. Tempo de ação: 10-20 minutos.
- Esquema B: Se Hipertensão arterial refratária: Associar uma das opções:
- Nifedipino (10 mg/comprimido) 10 mg VO a cada 20-30 minutos, até chegar a 30 mg, seguidos de 10-20 mg a cada 2-6 horas (dose máxima: 180 mg/dia):
- Contraindicação relativa quando associado ao Sulfato de magnésio;
- Nitroprussiato de sódio (50 mg/2 mL) 2 mL + 248 mL de SG 5% (200 microgramas/mL) 0,5-10 microgramas/kg/minuto EV contínua. A dose máxima, quando necessária, não deve ser utilizada por mais de 10 minutos. Usar como última alternativa terapêutica pelo risco de envenenamento fetal por cianeto.
- Esquema C: Corticoide: Escolha uma das opções:
- Betametasona (5 mg + 2 mg/mL) 12 mg IM 1x/dia por 2 dias;
- Dexametasona (4 mg/mL) 1,5 mL (6 mg) IM de 12/12 horas por 2 dias.
- Esquema D: Se persistência de convulsões:
- Fenitoína (250 mg/5 mL) 25 mL + 100 mL de SF 0,9% (10 mg/mL). Dose de ataque: 15-20 mg/kg EV na velocidade máxima de 50 mg/minuto. Dose de manutenção: 2 mL EV de 8/8 horas.
- Esquema E: Intoxicação por Sulfato de magnésio:
- Gluconato de cálcio 10% (1 g/10 mL) 10 mL de solução a 10% EV lentamente.
- Esquema F: A partir de 12 semanas, nas pacientes com alto risco de hipertensão:
- Ácido acetilsalicílico 100 mg VO 1x/dia. Usar por até 36 semanas.
Profiláticos e Sintomáticos
- 1. Analgésico e antitérmico: Se presença de dor ou febre ≥ 37,8°C. Escolha uma das opções:
- Dipirona sódica (500 mg/mL) 1-2 g EV até de 4/4 horas (dose máxima: 5 g em 24 horas);
- Dipirona sódica gotas (500 mg/mL) 20-40 gotas VO até de 4/4 horas;
- Dipirona sódica 500-1.000 mg VO até de 4/4 horas;
- Paracetamol gotas (200 mg/mL) 35-55 gotas VO até de 6/6 horas;
- Paracetamol 500-750 mg VO até de 6/6 horas.
- 2. Antiemético: Se presença de náuseas e/ou vômitos. Escolha uma das opções:
- Metoclopramida (10 mg/2 mL) 10 mg EV diluídos em água destilada até de 8/8 horas;
- Metoclopramida (4 mg/mL) 50 gotas VO de 8/8 horas;
- Metoclopramida 10 mg VO de 8/8 horas;
- Bromoprida (10 mg/2 mL) 10 mg EV de 8/8 horas;
- Bromoprida (4 mg/mL) 1-3 gotas/kg VO de 8/8 horas.
- 3. Proteção gástrica: Escolha uma das opções:
- Omeprazol (40 mg/10 mL) 20-40 mg VO/EV de 24/24 horas pela manhã;
- Pantoprazol (40 mg/10 mL) 40 mg EV de 24/24 horas.
Cuidados
- Passar sonda vesical.
- Anotar diurese horária e avisar se < 25 mL/hora.
- Curva de FR e avisar se < 16 irpm.
- Curva de PA horária e avisar se PA ≥ 160 x 110 mmHg.
- Repouso em decúbito lateral esquerdo.
- Glicemia capilar de 4/4 horas.
- Glicose hipertônica 50%: 4 ampolas EV, se HGT < 60.
Outras Informações
A pré-eclâmpsia e a hipertensão na gestação são intercorrências clínicas frequentes que precisam ser investigadas minuciosamente.
A pré-eclâmpsia é definida como a presença inédita de hipertensão com proteinúria ou lesão de órgãos alvo (rins, cérebro e fígado) que ocorre após 20 semanas de gestação, enquanto a hipertensão crônica caracteriza-se por ser diagnosticada antes da gestação ou até a 20ª semana da gravidez atual.
Mais prevalentes em primigestas, as síndromes hipertensivas complicam 6-10% das gestações e são classificadas como doenças multissistêmicas, podendo cursar com disfunções hepática, renal e neurológica.
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